Previdência pública: a raposa cuidando do galinheiro

Em qualquer plano de aposentadoria ou regime de previdência os contribuintes são os maiores interessados. No Brasil, porém, sob cuidado de quem eles deixam suas aposentadorias? Do estado, que por aqui, desde sempre, representa interesses antagônicos aos dos cidadãos: quanto mais os contribuintes pagarem e quanto menos receberem, mais fácil para o estado e melhor para a classe política que vive às custas dele.

Todos deveriam se aposentar com a renda e idade desejada. Para tanto, cada um precisaria administrar e contribuir por si e apenas para si, o que não acontece na previdência pública brasileira, cujo regime é de repartição. Quando o assunto é aposentadoria, são aliados do contribuinte: o tempo de contribuição, que por aqui nada significa, já que não melhora as condições da aposentadoria, apenas impede o pleito caso não tenha havido contribuição pelo tempo que um burocrata definiu como suficiente, sendo frequente a extensão do tempo mínimo exigido; diversificação de investimentos, inexistente no modelo de repartição, já que os recursos mal entram e já são redirecionados aos atuais aposentados ou extraídos via DRU, não acumulando e, portanto, não conferindo rendimentos; autonomia, também inexistente, já que nada podemos decidir, sequer influenciar. Além dos ditos aliados não estarem previstos na legislação em torno da previdência pública, fatores desfavoráveis ao contribuinte são onipresentes: interferências políticas; perdas inflacionárias; burocracia e regulações ineptas. Cuidar por conta própria é mais seguro que deixar para o estado, pois é possível acompanhar e corrigir o percurso, testar e redefinir estratégias, repor perdas inflacionárias e escolher aplicações com liquidez adequada para individualidades, como necessidades pessoais, expectativas e segurança contra imprevistos.

As circunstâncias não são animadoras, mas as melhores chances de uma geração advêm do esforço, organização e planejamento da geração anterior, não do estado. Considerando a típica demora para um jovem alcançar renda, a preponderância do tempo de economia ou investimento em relação à quantidade de recursos alocados, sem a antecipação dos pais, os jovens que não forem excepcionais nem se tornarem corruptos ficarão “a ver navios”.

Considerando um filho economicamente inativo até os 24 anos, R$ 200,00 mensais depositados pelos seus pais em poupança, cujo menor juro possível é 0,5% ao mês, durante o referido tempo (288 meses), alcançariam o resultado de R$ 128.223,16 (imagem). Valor tal que, sob mesma taxa de juros, proporcionaria R$ 641,11 mensais líquidos (128.223,16/100*0,5=641,1158). Ao se tornar economicamente ativo, maduro e educado financeiramente, caberia ao filho decidir com qual renda e quando se aposentar, podendo abdicar do rendimento mensal proporcionado pela economia dos pais para utilizar o acumulado como aporte inicial. Assim, supondo que ele queira se aposentar milionário, relativamente novo, mantendo-se na poupança e depositando mensalmente o mesmo valor que seus pais depositavam: R$ 128.223,16 iniciais + R$ 200,00 mensais até seus 55 anos (mais 372 meses) proporcionariam um resultado de R$ 1.035.624,68 (imagem), suficiente para prover R$ 5.178,12 mensais líquidos sob mesma taxa de juros (1.035.624,68/100*0,5=5.178,1234).


Calculadora de juros compostos do Clube dos Poupadores.

Como proteção contra a inflação, basta que pais e filhos reajustem seus depósitos a cada novo ano, acrescendo-os do que for maior: a inflação acumulada dos últimos 12 meses ou a taxa de reajuste do salário mínimo. Assim, no final das contas, tem-se números diferentes, mas o mesmo poder aquisitivo que o resultado simulado tem hoje. É muito importante saber que há investimentos melhores que a poupança, portanto, seria possível alcançar um resultado equivalente com contribuições mensais menores ou menos tempo de contribuição, assim como resultados melhores com a mesma quantidade de tempo e recursos. É preciso perceber como são muitas as variáveis e como nenhuma delas está entre as preocupações do estado, como são muitas as possibilidades e formas enquanto ele nos limita a uma: pagar pra ver. Isso é loteria, não previdência.

Imagem em destaque: Saber Previdenciário

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