Reflexão sobre atualidades da Educação Pública

Escolas e universidades são locais de incentivo ao pensamento crítico. De fato, mas ser crítico implica ser autocrítico, coisa não verificada em boa parte dos formados. Muitos professores são engajados politicamente, o que fazem por direito e também por dever, legitimamente, mas discorrem sobre a mecanização das coisas humanas e a robotização das pessoas na sociedade enquanto permitem ou fazem exatamente o mesmo com seus alunos. Há subjetividades, mas é possível equacioná-las com liberdade, inclusive de pensar diferente, o que é escasso no meio acadêmico. O método vem de cima, mas se fora da sala de aula são todos resistência, revolucionários, cristãos ou oposicionistas, por quê não contra o método?

Há preocupações legítimas, mas falta reflexão aos preocupados e talvez para este autor também, que pelo menos considera a possibilidade. Os alunos da atualidade passam por um processo puramente retrógrado, artificial e mecânico, aprendem a agradar a um grupo e a repetir coisas, geralmente memorizam em vez de compreender. Adicionalmente, são treinados para nada além de continuar ali, fazendo parte de um processo fantasioso e massante, como se nunca fossem precisar levar suas vidas adiante. Logo, percebem o ensino como ele tem se mostrado: pura e mera formalidade, já que muitas vezes avançam sem alfabetização, entendendo bulhufas de matemática, sequer especulando sobre raciocínio lógico. E o pior, ainda viram objeto de barganha para pleitos políticos daqueles que tem enorme parcela de responsabilidade nisso: professores, familiares e políticos.

Não é discorrida aqui sequer uma letra acerca de doutrinação, inclusive, seria do mesmo sofismo por este criticado. Só há problema quando apenas uma doutrina é ensinada, pior ainda quando a “solução” proposta é a censura, em vez da diversificação doutrinária. A reflexão que deve ser feita é que os professores são os mestres, portanto, supostamente, não deveriam “pensar dentro de caixinhas”. Deveriam saber que o mundo é movimento, consequentemente mudança, adaptação, adequação, e que isso também vale para eles. Alunos deveriam ser guiados para seus diversos rumos, mesmo os obstinados, mesmo aqueles de pontos de vista diferentes. Ou, como os professores naturalmente interferem, pelo menos deveriam ser mais diversos politica e ideologicamente. Também não é endereçado aqui o contingenciamento de recursos destinados às despesas discricionárias da educação, que é algo bastante ruim, mas é mera consequência de ignorar os velhos e recorrentes avisos sobre a condição fiscal e econômica do país.

Por fim, compete a todos dar o exemplo, professores, alunos e cidadãos, assumindo a responsabilidade pelas suas ações e omissões. O atual presidente é fraco e ruim, mas isso não muda os fatos pretéritos, muito menos as péssimas opções políticas que só se perpetuam porque pessoas mentalmente mortas as cultivam. Os melhores e mais importantes aprendizados que um aluno poderia ter, em toda a vida, são: aprender a aprender, se adaptar, gostar de ler e gostar de estudar. Como isso não está sendo alcançado, como pessoas que poderiam pagar se beneficiam enquanto maior parte dos pobres fica de fora, como um aluno no ensino público custa várias vezes mais que um aluno no ensino privado, licença, mas que se exploda!

Bolsonaro, a propaganda do desserviço

Apesar de se autoproclamar liberal, Bolsonaro inside em praticamente todas as críticas liberais. A exemplo da recente intromissão em assuntos internos do Banco do Brasil, tais como publicidade e propagada, se enquadrando em censura e autoritarismo. Intervenções do estado se justificam única e exclusivamente quando feitas de forma técnica e em situação de inescusável necessidade, o que nitidamente não foi o caso, já que não passa de uma interferência política. Nenhuma necessidade justificaria a censura, aparelhamento do estado ou da mídia, dadas as propensões à dominação.

São finalidades do estado: defender e garantir a liberdade individual, com responsabilidade; mediar e conciliar conflitos; integrar a sociedade; trabalhar pela prevenção/resolução de injustiças e problemas sociais; prover serviços essenciais de qualidade; abster-se das questões em que não há consenso entre a população, focando naquilo que é comum e do interesse de todos. Se em dia com as referidas obrigações e com sobra de capacidade administrativa, o que não é o caso do Brasil, o estado até poderia discutir alternativas como a composição de empresas estatais ou o exercício de novas atividades econômicas. Então, na atual conjuntura, para quê estado grande e repleto de tentáculos senão para cabide de emprego, negociatas por apoio político, laboratório de censura e incubadora de autoritarismo?!

Bolsonaro presta um desserviço tão grande que, com razão, acaba servindo de palanque para a oposição, uma esquerda que nem reformada é. Com isso, vemos uma contradição, que é o fato, nos levar a outra: uma oposição que quer estado grande e insiste em “regulamentar os meios de comunicação” – em outras palavras, censura – reclamar dos erros que ela também comete, mas por vocação. A “quëstão” mais importante não era derrotar a já derrotada esquerda, mas escolher um candidato mais capacitado e melhor intencionado que aqueles que já tivemos. No entanto, como de costume, os brasileiros sempre falham nas urnas.