Educação, tecnologia e emprego

Pouco a pouco vamos ficando mais e mais reféns da educação, especialmente da profissional. Cada vez mais profissões ficam obsoletas e dão lugares às novas, de tecnologia. As que permanecem, por sua vez, são aquelas que de alguma forma convergem com a tecnologia. Vendo assim, percebe-se o Brasil rumo ao abismo.

Há quem acredite que tecnologia elimina empregos. O que não é verdade, pois, se tecnologias substituírem pessoas aqui, outras serão empregadas no projeto, desenvolvimento, montagem, manutenção, suporte, treinamento, transporte, venda e operação dessa mesma tecnologia. Mudanças são naturais, estranho é resistir a elas.

Por outro lado, elites culturais e políticas manifestam-se como se uma faculdade literária ou social, determinada visão de mundo ou método esgotasse tudo. Exprimem, tacitamente, que liberdade é compartilhar dessas idéias, não daquelas, distintas, como se isso não limitasse as escolhas e as liberdades alheias.

Não amadureceremos enquanto rejeitarmos a diversificação metodológica e doutrinária. Não avançaremos enquanto rejeitarmos as escolas técnicas. Não faremos progresso enquanto condicionarmos o mesmo ao estado. Não há liberdade se não houver opções. Não é democrático se não é diverso.

Aos que discordam, deixo estas perguntas: Um único método ou perspectiva satisfaz a tudo? Por quê condicionar um indivíduo em formação a atrasar sua profissionalização? Por quê a estatização da educação deve ser máxima? Pede-se ensino público gratuito, então, por quê não bolsas públicas na rede privada?

Reflexão sobre atualidades da Educação Pública

Escolas e universidades são locais de incentivo ao pensamento crítico. De fato, mas ser crítico implica ser autocrítico, coisa não verificada em boa parte dos formados. Muitos professores são engajados politicamente, o que fazem por direito e também por dever, legitimamente, mas discorrem sobre a mecanização das coisas humanas e a robotização das pessoas na sociedade enquanto permitem ou fazem exatamente o mesmo com seus alunos. Há subjetividades, mas é possível equacioná-las com liberdade, inclusive de pensar diferente, o que é escasso no meio acadêmico. O método vem de cima, mas se fora da sala de aula são todos resistência, revolucionários, cristãos ou oposicionistas, por quê não contra o método?

Há preocupações legítimas, mas falta reflexão aos preocupados e talvez para este autor também, que pelo menos considera a possibilidade. Os alunos da atualidade passam por um processo puramente retrógrado, artificial e mecânico, aprendem a agradar a um grupo e a repetir coisas, geralmente memorizam em vez de compreender. Adicionalmente, são treinados para nada além de continuar ali, fazendo parte de um processo fantasioso e massante, como se nunca fossem precisar levar suas vidas adiante. Logo, percebem o ensino como ele tem se mostrado: pura e mera formalidade, já que muitas vezes avançam sem alfabetização, entendendo bulhufas de matemática, sequer especulando sobre raciocínio lógico. E o pior, ainda viram objeto de barganha para pleitos políticos daqueles que tem enorme parcela de responsabilidade nisso: professores, familiares e políticos.

Não é discorrida aqui sequer uma letra acerca de doutrinação, inclusive, seria do mesmo sofismo por este criticado. Só há problema quando apenas uma doutrina é ensinada, pior ainda quando a “solução” proposta é a censura, em vez da diversificação doutrinária. A reflexão que deve ser feita é que os professores são os mestres, portanto, supostamente, não deveriam “pensar dentro de caixinhas”. Deveriam saber que o mundo é movimento, consequentemente mudança, adaptação, adequação, e que isso também vale para eles. Alunos deveriam ser guiados para seus diversos rumos, mesmo os obstinados, mesmo aqueles de pontos de vista diferentes. Ou, como os professores naturalmente interferem, pelo menos deveriam ser mais diversos politica e ideologicamente. Também não é endereçado aqui o contingenciamento de recursos destinados às despesas discricionárias da educação, que é algo bastante ruim, mas é mera consequência de ignorar os velhos e recorrentes avisos sobre a condição fiscal e econômica do país.

Por fim, compete a todos dar o exemplo, professores, alunos e cidadãos, assumindo a responsabilidade pelas suas ações e omissões. O atual presidente é fraco e ruim, mas isso não muda os fatos pretéritos, muito menos as péssimas opções políticas que só se perpetuam porque pessoas mentalmente mortas as cultivam. Os melhores e mais importantes aprendizados que um aluno poderia ter, em toda a vida, são: aprender a aprender, se adaptar, gostar de ler e gostar de estudar. Como isso não está sendo alcançado, como pessoas que poderiam pagar se beneficiam enquanto maior parte dos pobres fica de fora, como um aluno no ensino público custa várias vezes mais que um aluno no ensino privado, licença, mas que se exploda!