O paradoxo político brasileiro

A esquerda brasileira não está falida politicamente, ela é falida por definição. Não à toa, pois sua principal área de atuação através do Estado sequer é assunto dele: os costumes.

A direita brasileira compartilha do mesmo defeito, o de envolver o Estado nos costumes, porém, só não faliu ainda porque percebe a finitude dos recursos e sabe fazer cálculos matemáticos puramente básicos, como gastar menos que se arrecada.

Não se enganem, pois mesmo o quadro atual é ruim. A única coisa que mantém viva essa esquerda supostamente cheia de sentimento, mas comprovadamente vazia de boas intenções, é precisamente o recorrente e esperado fracasso da direita, que é incapaz de pensar além de seus dogmas.

Uma guinada à direita, por mais que seja um desvio provisório do precipício, só nos coloca de volta na mesma estrada, que nos devolverá às mãos da esquerda, tal que, como sempre, nos deixará novamente à beira do precipício. É um ciclo vicioso, apenas parcialmente visto pelos historiadores, por motivos óbvios.

A salvação do país pode estar nas mãos de pessoas realmente liberais politica e economicamente, que praticamente inexistem no espectro político brasileiro, mesmo nos partidos e políticos que ainda simpatizo.

Por mais que seja dito, não mudarão de ideia. Talvez percebam, pelo menos, como a ignorância é abundante neste país, especialmente entre os autoproclamados estudiosos, referências culturais ou representantes do povo. Por fim, passa a ser natural que vivam em reverência, submissão e dependência de alguma entidade, estatal ou religiosa, levando em conta a própria incapacidade intelectual.